POR QUE VOCÊ DEVERIA LER “GENJITSU SHUGI YUUSHA NO OUKOKU SAIKENKI: COMO UM HERÓI REALISTA RESTAURA O REINO”.

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O que esperar de uma light novel escrita por um autor com um pseudônimo digno de um descendente dos demônios carmesim?

Muita coisa.

Esta obra disfarça-se por trás de um tema “bobo” e saturado como isekai para realizar o que muitas obras com premissas muito mais complexas tentam fazer, mas falham miseravelmente.

Desde o começo, a premissa de Genjitsu Shugi tem tudo para ser mais uma novel clichê surfando na onda de novels isekais e haréns que andam surgindo. Porém, ele foge bastante do esperado.

O título promete ser realista. É claro que não é completamente. Afinal, é um isekai. Querendo ou não, há uma certa fantasia nisso. Porém, acredito que a forma que a obra aborda o tema de um protagonista salvando o reino é tão realista quanto poderia ser. Por quê? Bem, porque é uma light novel. No fim, se fosse completamente realista e sério, seria chato. Digno de novela de globo. Não que elas sejam realistas de fato, claro.

Na começo, Genjitsu Shugi continua com sua linha clichê estabelecida na sinopse. O livro é iniciado com o avô do protagonista falando para ele que, no fim do dia, a coisa mais importante da sua vida é sua família, e você deve fazer tudo o possível para proteger aquelas que ama.

Premissa padrão de light novels. O avô até morre e deixa o Souma, nosso protagonista, órfão. Apesar disso ser trágico, acredito que dá um desenvolver bom para a história, pois o avô era o último familiar do protagonista. Com sua morte, ele não tem mais ninguém de mesmo sangue no mundo. Assim, acaba com todo seu apego àquele mundo.

Não que ele tenha ficado depressivo, não foi isso que eu quis dizer, por mais que tenha soado assim. O que eu quis, de fato, dizer é que ele não tinha mais motivo para retornar ao seu mundo original após ser transportado ao mundo paralelo. E isso é ótimo.

Vou ser sincero, aquelas obras como “Caverna do Dragão” que as personagens ficam procurando uma forma de voltar para casa me incomoda. Acredito que por elas terem tal foco em mente, acaba perdendo parte da graça, pois você sabe que elas nunca tomariam uma posição vitalícia que impactasse de verdade esse novo mundo.

Pois em Genjitsu Shugi não é assim.

Para explicar mais, primeiro precisarei explicar o porquê dele ter sido invocado, e, com isso, o contexto daquele mundo onde ele se encontra depois da invocação.

O motivo é fácil de adivinhar. Obviamente, está havendo uma invasão ao território humano por parte do exército do Rei Demônio. Porém, até nisso o autor foge um pouco do padrão. “Por quê?” Bem, é simples. O autor vai desenvolvendo que também é possível atingir formas de comunicação com os demônios. Eles não são apenas monstros sem consciência que querem destruir tudo. Bem, nem todos. Isso dá um diferencial legal. Porém, apenas o protagonista descobriu isso, e se eu me aprofundar em como, eu estaria fazendo mais revelações de enredo do que julgo necessário.

Voltando ao tema, prometi explicar o motivo da invasão, certo?80f674105df5c3b64f6a151492f49e7f

Bem, no mundo de Genjitsu Shugi, há um grande império humano. Ele é um dos países que fazem fronteira com o território do Rei Demônio. Por causa disso, o império propõe que os humanos façam uma trégua temporária para se protegerem da ameaça iminente.

Os pontos mais vitais da aliança são os seguintes:

1- Membros da aliança não podem, sob circunstância alguma, invadir outros membros.

2- Os países que não fazem fronteira com o território dos demônios deve mandar tropas e dinheiro aos países que fazem para ajudar na batalha.

Claro, há mais pontos, mas só esses são de fato necessários para o entendimento da história. Sim, as condições podem ser exploradas contra países que não fazem parte da aliança, como um país faz no Volume 2 ou 3, porém, vou me abster de falar mais a respeito.

Como o Reino de Elfrieden, o país foco da história, está sofrendo uma recessão econômica, o Império propõe que o Reino use o seu antigo ritual de invocação de herói para invocar alguém capaz de lutar contra o Rei Demônio, e o mande para o Império para auxiliá-los na batalha.

E é aí que nosso protagonista, o Souma, entra em questão.

Acontece que o Souma não é um zé-ninguém. Ele é um funcionário do governo. Apesar de não ser de um alto escalão, sua posição o leva a entender bastante de política, economia e etc.

Após ser invocado, o Souma passa algum tempo atordoado, sem acreditar no que está havendo. Porém, ele não demora muito para acordar para a realidade. Quando o Rei do Reino de Elfrieden começa a explicar o porquê dele ter sido invocado, inclusive tudo sobre o contexto do mundo e da condição financeira do Reino, o Souma propõe fazer uma reunião com o Rei e o Primeiro-Ministro para discutirem formas de evitar que ele seja enviado ao império.

Por quê?

Acontece que nosso protagonista percebe de cara que ele não tem nenhuma habilidade digna de um herói. Se ele fosse mandado a um campo de batalha, pereceria na mesma hora. Por isso, o Souma teme que caso ele seja enviado ao Império, o mesmo o julgue inútil e o sentencie à morte.

Ora, nosso protagonista tem bastante conhecimento da economia e política do seu mundo que, vale ressaltar, está bem mais avançado do que o mundo no qual ele se encontra. Por quê? Bem, porque nesse mundo há magia. Por um lado, haver magia é ótimo, mas por outro, como nosso protagonista bem exalta, a existência da magia desacelera o advento da ciência, por não haver incentivo o suficiente. Para que criariam energia elétrica, se podem simplesmente invocar uma magia de fogo?

Além disso, por haver reis absolutistas e Impérios, o protagonista percebe logo de cara que se trata de um período semelhante ao feudal.

Pois bem, na reunião, que levou três dias, o protagonista analisa os números do reino e percebe que eles não batem de fato. O que isso significa? A presença de corrupção, além de gastos desnecessários.

Ao longo desses três dias de reunião, o protagonista propõe formas de cortar os gastos, além de identificar os setores em que o desvio de verba é maior para punir os responsáveis.

Claro que não punem todos de uma vez, pois nem todos são burros o suficiente para deixar rastros, mas nosso protagonista resolve isso mais a frente de uma forma digna do tal príncipe que Maquiável gostava tanto de imaginar.

Após a reunião, o rei de Elfrieden faz algo inesperado. Ele torna o Souma o novo rei. E, para evitar rebeliões de pessoas achando que o Souma usurpou o trono, ele dá a mão da sua filha em casamento ao Souma.

O protagonista fica em choque na mesma hora, mas ele não tem opção. Afinal, é o rei quem está mandando.

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Claro que se não houvesse rebelião alguma não teria nada de “realismo”. Os três duques mais importantes, que são os líderes do exército, da marinha e da “aeronáutica” (nesse mundo, usa-se Wyverns como montaria) se recusam a aceitar o Souma, pois acreditam ter acontecido uma usurpação do trono. A maneira que o protagonista resolve tal conflito é brilhante. Usando de conhecimentos adquiridos ao fazer leitura de grandes obras como “O Príncipe” de Maquiável, e “A Arte da Guerra” dos dois Sun Tzu (Sun Wu e Sun Pin).

O interessante da obra é que o protagonista não é overpowered por possuir habilidades OPs. Ele possui, sim, uma habilidade de herói. Porém, sua habilidade é mais útil em ambientes de trabalho, como um escritório, do que em guerras. Qual a habilidade dele? Bem, ele pode passar parte da sua consciência para pequenos objetos como canetas. Ao passar para uma caneta, ele consegue fazer seu trabalho 2x mais rápido que alguém normalmente faria. (Sim, a habilidade vai desenvolvendo ao longo do tempo, se tornando mais forte, mas não vem ao caso).

O que torna o protagonista overpowered é a maior arma que um humano poder ter: seu conhecimento. Ao aplicar o conhecimento adquirido de vários filósofos e mestres da guerra de nosso mundo, Souma consegue fazer o Reino de Elfrieden florescer.

Além disso, para superar a crise de fome que o país enfrentava, ele faz reformas agrárias. Porém, por saber que reformas agrárias levam bastante tempo para serem efetivas, ele também faz outra mudança: Ele apresenta às pessoas alimentos com os quais elas não estão acostumadas, como raízes, assim, aumentando o cardápio da população.

Vale mencionar também o relacionamento do protagonista com as heroínas. Ao meu ver, os relacionamentos são bem normais. Não há nada muito forçado. O romance vai fluindo num ritmo divertido. Além disso, o protagonista foi liberado para fazer um harém de até 8 garotas por sua noiva, contando com ela. Por quê? Porque há 8 dias da semana nesse mundo, então fica um dia para casa esposa. Porém, é claro, nem toda esposa possui direito de sucessão. Há as esposas principais e as secundárias. Achei uma ótima forma desenvolvida pelo autor. É, de fato, um harém. Quem o protagonista escolhe? Oras, ele é um rei, por que não todas?

Eu tentei ao máximo simplificar tudo e reduzi ao mínimo a exposição das medidas tomadas pelo Souma de forma a não estragar a experiência do leitor. A maior parte do que eu falei ocorre no primeiro volume. Se não me engano, do que eu mencionei, só o conflito dos duques ocorre no volume 2. É bem interessante ver o Souma em sua jornada de Rei, e recomendo fortemente essa série para qualquer um. Gostei muito do estilo de escrita do autor, e de como ele aplicar seus conhecimentos para tornar a história mais interessante.

O nome do autor é Dozeumaru, btw.

É isso, fico por aqui. Desejo uma ótima noite para todos.

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2 comentários em “POR QUE VOCÊ DEVERIA LER “GENJITSU SHUGI YUUSHA NO OUKOKU SAIKENKI: COMO UM HERÓI REALISTA RESTAURA O REINO”.

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